História de Viagem - Abu Simbel, Egito: a glória de um faraó

Uma viagem de 320 quilômetros pelo deserto para chegar ao grande templo do faraó Ramsés II

Não importa por quantos lugares você esteve ou por onde viajou. O sonho de todos os viajantes é pôr os pés na terra dos faraós. Escrever sobre o país das grandes pirâmides nunca é demais, cada visitante tem sua impressão, uma história diferente e particular para contar. E nós, tendo conhecido o Egito ou não, escutamos atentamente as palavras dos que tiveram o privilégio de estar lá.

Rumo ao sul egípcio

Chegamos em Assuã, sul do Egito, à meia-noite, depois de uma longa e exaustiva viagem desde Edfu. Estávamos famintos, praticamente não comíamos nada desde as sete horas da manhã, quando partimos de Luxor. Chegando na cidade, fomos diretos a um restaurante e comemos a única opção que nos foi oferecida: "pizza de carne moída"... estava maravilhosa, nem questionamos como era feita!

Fomos procurar um hotel e na estação nos indicaram um, não muito longe dali. Entramos por um beco escuro, deparamos com alguns gatos miando na porta de uma casa e quando passamos em frente, vimos alguns egípcios moendo carne, em cima de uma mesa imunda, cheia de moscas e mau cheiro. Imediatamente nos lembramos da pizza de "carne moída", mas, naquela altura, já era tarde demais. Chegamos ao hotel, descansamos merecidamente e no dia seguinte fomos andar de "feluca", um barco típico que navega no rio Nilo. Visitamos a Ilha Elefantina, na outra margem do rio. A Ilha leva este nome porque existe uma formação rochosa que lembra um elefante. Ali existem muitos templos em ruínas e um museu contando o cotidiano do povo egípcio e mostrando peças antigas. Andar pelo rio Nilo de feluca traz muita paz, tranqüilidade, passamos bons momentos.

Na recepção do Hotel nos informaram que um táxi sairia às quatro horas da manhã para Abu Simbel, a razão de estarmos ali: conhecer esse magnífico templo. Perguntamos porque deveríamos sair tão cedo e o recepcionista do hotel nos disse que era por causa do calor do deserto. Abu Simbel fica a 320 km de Assuã, quase na divisa com o Sudão. A viagem toda é feita através do deserto, existe apenas uma estrada asfaltada naquela imensidão de areia... e mais nada.
 
Fatos de uma história não tão antiga
 
Naquela região o homem, devido as suas necessidades, alterou o leito natural do rio. Foram 35 mil trabalhadores egípcios sob a orientação de engenheiros da antiga União Soviética que construíram a "Grande Barragem de Assuã". Levaram cerca de dez anos para concluir uma enorme barragem de concreto de 115 metros de altura e 3600 metros de uma margem à outra. Assim, às custas da vida de cinco mil trabalhadores que morreram na obra vítima de acidentes com explosões de dinamite, entre outros, surgiu o Nasser, o maior lago artificial do mundo, com 500 quilômetros de extensão, sendo 150 quilômetros no Sudão e 350 no Egito. Dezenas de construções antigas do sul do Egito ficaram submersas nas águas do Lago Nasser. Entretanto, em 1964, um pouco antes da inundação, sob a coordenação da Unesco e com 40 milhões de dólares de recursos de diversos países, foi realizada uma impressionante façanha: remover templos e estátuas que foram cortados em 1036 blocos, com um peso médio de 30 toneladas cada e transportados para uma parte mais alta e remontados como um quebra-cabeça. Ali, Ramsés II e sua obra-prima continuam reinando.

O capricho dos faraós

Chegamos um pouco depois das sete horas da manhã e o calor já era insuportável. Levamos água, mas
era quase impossível bebê-la, pois parecia ter saído da chaleira. Abu Simbel é a mais bela e caprichosa construção do mais caprichoso faraó da história egípcia: Ramsés II, o Grande. O templo foi construído para glorificar, através dos séculos, a memória do seu construtor. São quatro estátuas colossais do faraó sentado em seu trono, cada uma com 20 metros de altura, 4 metros de uma orelha a outra e lábios de 1 metro de altura.

O termo faraó significa "a grande morada". Era o responsável, como herdeiro dos deuses, pelo equilíbrio da natureza e o único que podia manter contato com as forças divinas. Para nós, permanecer por poucas horas naquele lugar percorrendo o interior do templo e admirando todos os detalhes, inclusive os dos hieróglifos, foi uma experiência inesquecível.

Às dez horas já estávamos voltando, pois o calor já era sufocante, a temperatura estava por volta de 45 graus. O calor dentro do carro era grande, mas era impossível deixar os vidros abertos, pois o vento era intenso e chegava a machucar a pele. Ao longe avistamos, atravessando o deserto, uma caravana de beduínos e seus camelos, a imagem distorcida por causa do calor intenso... parecia uma miragem, aquelas típicas dos filmes. Finalmente, por volta das 13 horas, chegamos em Assuã, almoçamos e passamos a tarde dormindo no hotel, para nos recuperarmos da exaustão que o calor do deserto tinha deixado, sonhando com a época dos deuses e seus templos maravilhosos.
 
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O mistério da interpretação dos hieróglifos ou das palavras dos deuses, como os antigos egípcios denominavam seus textos escritos, acabou quando o capitão do exército francês Bouchard, em 1799, ao comandar operações de fortificação do forte Saint-Julien a quatro quilômetros da cidade de Roseta, encontrou uma pedra de basalto negro muito dura contendo uma inscrição em três línguas: a primeira em hieróglifos, a segunda em demótico (linguagem popular) e, por fim, a terceira em caracteres gregos e portanto compreensíveis. Os hieróglifos foram decifrados pelo francês François Champolion. A Pedra de Roseta, como ficou conhecida, pode ser vista hoje no Museu Britânico em Londres.
 
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