quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

História de Viagem - Áustria: a beleza que desce pelos alpes

 Para quem aprecia as boas e belas coisas da vida, sente-se feliz em conhecer um país que não se envergonha de ser romântico e alegre. Nesse clima, a professora de história, Valesca, e eu, respirávamos o ar que vinha da região dos Alpes austríacos. Tínhamos saído de Munique, Alemanha, sábado de manhã e, pela primeira vez, estávamos a caminho da Áustria, antiga morada de Mozart e cenário do filme "A Noviça Rebelde".

Cercado por vários países: Suíça, Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Itália e Eslovênia, a Áustria é um país pequeno na geografia, menor que Portugal e do tamanho da Irlanda, mas grande em beleza. Até 1919 era a parte mais importante do forte império Austro-húngaro. Sem contato terrestre com o mar, possui um formoso rio que corta suas terras - o Danúbio.

Terra abençoada pela música

Estava chovendo, tempo escuro e com muita neblina, mal conseguíamos ver as montanhas cobertas de neve, mesmo assim ficamos fascinados pela beleza diante dos nossos olhos. Chegamos em Salzburg - uma cidade encantadora, especialmente com a música no ar que transbordava de suas escolas e das salas de concerto. Era um perfeito clima de romantismo mesclado à paisagem medieval.

Um vilarejo descampado, povoado por celtas. Assim era Salzburg quando surgiu da exploração de minas de sal, quinhentos anos antes de Cristo. Mais tarde apareceram os romanos que abriram estradas que até hoje servem aos viajantes. No século VIII, Salzburg começou a se desenvolver graças a São Rubert, encarregado de catequizar o povo e que mandou construir igrejas e escolas ao redor de um monastério.

Com os olhos atentos, percebíamos que ali ainda eram conservadas as marcas da religiosidade medieval em sua arquitetura. Entretanto, foi através das inscrições encontradas nos monumentos, estátuas e nas portas das casas, onde viveu e se dedicou à música, que reconhecemos a importância de um dos maiores, senão o maior, gênio da música: Wolfgang Amadeus Mozart. Excelente pianista, para não dizer divino, Mozart destacou-se já aos seis anos de idade e impressionava imperadores.

No dia seguinte, quando os raios do sol timidamente batiam na janela do nosso quarto, pegamos nossas mochilas e subimos as encostas ao redor da cidade. Tínhamos o que queríamos: uma vista mais ampla das montanhas cobertas de neve.

Os Alpes e a neve

Partimos de Salzburg com um certo pesar, mas a emoção de seguir viagem pelo meio dos Alpes foi mais forte que a tristeza da partida. A Valesca, por mais que tentasse, não conseguia descrever a maravilha que eram os Alpes e o que era estar ali, bem pertinho. Viajar acompanhado pelas montanhas cobertas de neve por todos os lados e a visão das casas que pareciam de bonecas nas encostas das montanhas foi simplesmente de tirar o chapéu (tirolês).

Outra cidade que nos deliciamos lentamente por muitos caminhos foi Innsbruck. O céu também era ofuscado pela neve que parecia descer pelas escarpas onduladas dos Alpes austríacos e abrir pequenos espaços para que a montanha, que chega a três mil metros de altura, mostrasse toda a sua beleza. Era um incrível cenário para uma cidade de prédios coloridos e monumentos desenhados no fim do século XVI pela arte barroca.

Para quem quer ficar impregnado pela atmosfera no mais autêntico berço da cultura tirolesa e ver um tirolês a caráter, não há necessidade de ir a um festival folclórico, em poucos passos você dá de cara com um em seu traje típico.

O cafezinho e o amor à arte

Você sabia que o nosso tradicional "cafezinho" surgiu na Áustria? Primeiro os turcos, lá pelo ano de 1680, invadiram aquele país e deixaram uma preciosa influência: a arte de fazer café. Mas a história não parou por aí, os austríacos acrescentaram imaginação e criatividade. A variedade de cafés na encantadora capital Viena é tão grande que não dá para pedir um cafezinho e pronto. Há uma infinidade de deliciosos cafés que devem ser degustados com calma. Assim, nasceu o hábito de se reunir em casas de café.

Caminhar pela cidade de Innsbruck é extasiar-se a cada minuto. Percebe-se de perto todo o respeito que a cidade dedica à arte. As ruas se abrem como um museu vivo. Entretanto, basta virar a esquina para ver o lado moderno de Innsbruck que tem em suas pequenas ruas, boutiques sofisticadas, os últimos lançamentos da moda francesa e muitos equipamentos de esqui. Muito procurada por turistas, especialmente os que apreciam os esporte de inverno, o esqui, naquela região, é muito mais que esporte, é uma paixão que faz do frio do inverno uma fonte de eterna alegria. Alegria que contagia qualquer um que passa por aquelas terras.

Uma boa ideia, pelo menos para as primeiras vezes, é sair para caminhar acompanhado de um amigo. Além da companhia agradável e de ter alguém para fotografá-lo, é uma questão de segurança. Nunca se deve aventurar por um caminho sem deixar avisado a alguém a rota planejada e o tempo estimado para o retorno.

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Curiosidade: Província romana (15 d.C.) e de Carlos Magno (800), no século XI é anexada ao Sacro Império Romano Germânico. Em 1815 torna-se a maior potência da Confederação Germânica. Até 1918 fez parte do Império Áustro-Húngaro, quando foi então desmembrada após sua derrota na Primeira Guerra Mundial. Assim, a Áustria se constituiu como um país apenas em 1919. Em 1938, Adolf Hitler ordenou sua invasão e ela foi anexada à Alemanha. Com o término da guerra, a Áustria voltou a ser uma nação autônoma. Hoje, o padrão de vida dos austríacos situa-se entre os mais elevados do mundo, e sua renda per capita atinge 20 mil dólares anuais. 90% da população austríaca é de origem alemã.

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Nota : Este texto reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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