História de Viagem - Berlim: uma cidade dividida ao meio


Berlim - Fotos: Acervo/Levis Litz
 "Espera aí - uma dúvida!", disse alguém dentro do carro, enquanto eu dirigia a caminho da capital da Alemanha. "Se Berlim está dividida em Oriental e Ocidental, como é que estamos cruzando a fronteira da Alemanha Ocidental com a da Oriental e ainda nem estamos tão perto da cidade?", finalizou. Com essa dúvida levantada, acreditávamos que Berlim estaria bem na fronteira, mas não tardou para percebermos que Berlim Ocidental encontrava-se por inteiro no lado da Alemanha Oriental.

Era em torno de oito horas da noite. Estava escuro. De repente, uma fila de carros, cerca de arame farpado, militares e veículos que estavam sendo abordados. De um lado da pista, carros sendo desmontados, cães policiais à procura de algo e um clima, que só tínhamos visto nos filmes da Segunda Guerra Mundial, baixou sobre nós. Estávamos aguardando a nossa vez: dois gaúchos de Lajeado (RS), Deko e Alemão (o apelido era mera coincidência), Valesca e eu.

Muro de Berlim antes 9 de novembro de 1989

Chegou a nossa vez

Tivemos que sair do carro, pediram para abrir o bagageiro, verificaram nossos passaportes e perguntaram se estávamos carregando drogas. Mesmo não tendo nada a temer, há circunstâncias que deixam qualquer um nervoso. Valesca e eu tínhamos comprado o carro, um Lada Zastava, uma semana antes em Utrech, Holanda. Imagine se houvesse uma irregularidade que desconhecíamos! Não demorou muito para evidenciarmos isso. O Deko, que tinha estado em Israel, levava com ele uma pequena pedra colorida como recordação do Mar Vermelho. Os militares alemães desconfiaram. Foi o motivo necessário e suficiente para revistá-lo completamente, dos pés a cabeça. Nada encontrado - tudo certo, voltamos a rodar pela auto-estrada, mas não era permitido sair da rodovia principal até chegarmos em Berlim, o que durou algumas horas.

Depois de cruzarmos por cinco barreiras militares fortemente armadas, vimos um muro com cerca de três metros de altura. Sua história começou em 1961, na divisão de dois lados: oriental e ocidental. Do lado ocidental, o muro estava completamente pichado, enquanto que do outro lado - o oriental, estava pintado de branco, protegido com arame farpado e guardas em alerta. Outra referência que vi em Berlim foi a mais famosa avenida da cidade, a Kurfürstendamm, também chamada de Ku’dam. Na celebração dos seus cem anos de existência, em 1986, o Coro dos Meninos Cantores de Schöneberg cantava: "Ohne Ku’dam kein Berlin", que significa "sem a Ku’dam Berlim não existe".

Praça Marx-Engels - Alemanha Oriental

Do outro lado da Cortina de Ferro

Instalados em Berlim Ocidental, conseguimos uma permissão para ficar 24 horas no lado comunista. Caminhamos pelas ruas de Berlim Oriental sob uma garoa fina e chata. Sem outdoors e produtos do ocidente, uma enorme vitrine de um Shopping Center, nos chamou a atenção. Estava repleto de tênis - tipo conga - todos absolutamente iguais e com a mesma cor, azul escuro. Diferenciavam-se apenas no tamanho. A cada esquina que virávamos, observávamos prédios com marcas de metralhadoras e fuzis. Berlim teve mais de 80% de seus prédios destruídos durante a Segunda Grande Guerra. Tendo sentido um pouquinho do gosto de como seria viver sem liberdade, deixamos a Alemanha Oriental com a esperança de que um dia o muro deixasse de representar uma das maiores vergonhas da história da humanidade. Fato que ocorreu
exatamente 10 dias depois que partimos de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

Uma cidade sem limites

Valesca e eu retornamos várias vezes a Berlim depois da unificação e presenciamos o renascimento de uma cidade e seu esforço para voltar a ser uma das mais coloridas e vigorosas cidades da Europa. Berço de muitos escritores, pensadores e músicos, Berlim, atualmente, é uma cidade que, do ponto de vista cultural e artístico, não tem limites: dezenas de teatros e museus, mais de uma centena de cinemas e outros tantos de galerias, bibliotecas, restaurantes, bares e discos que não têm hora para fechar. Diferente de muitas capitais da Europa, o lado noturno de Berlim é sempre uma criança, onde toda hora é hora para começar a viver.

Para o visitante, Berlim pode ser explorada aos poucos, seja com uma caminhada na avenida cosmopolita de Kurfürstendamm, seja pelos pontos históricos mais importantes. Uma visita ao coração da cidade é ideal para ver aconstrução sacra mais antiga de Berlim: a Igreja de São Nicolau, erigida em 1320. Outra sugestão é dar uma chegadinha a um museu. Dentre eles a Galeria Nacional, o Museu Egípcio e o Museu de Pré-História e História Antiga. Entretanto, você nunca poderá dizer que esteve em Berlim se não conheceu o símbolo da cidade que situa-se num lugar onde parte da história do mundo foi escrita: o Portal de Brandemburgo.

Alemanha - Terra dos meus ancestrais, do meu irmão, das minhas sobrinhas e de muitos amigos.

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Comentários

  1. Comentário de Glória Bertin (Facebook): "Eu estive e tive a aportunidade de me hospedar na embaixada do Brasil do lado oriental. A diferença entre as duas Berlim era gritante!"

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  2. Comentário via FaceBook por Matos Paulo Roberto: "Ainda hoje existe um clima de "diferença" social. Mas esta tendo campanhas para melhor isso."

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  3. Mensagem recebida por e-mail de Natalia Perez: "Olá! Só queria te agradecer por um blog tao legal. levislitz.blogspot.com. Li o post "História de Viagem - Berlim: uma cidade dividida ao meio" e depois passei a hora inteira no blog com muito interesse :) Tudo esta escrito corretamente, interesante e facil para ler. Gostei muito do post "História de Viagem - Um passeio pelos grandes enigmas da humanidade". Eu trablaho na empresa Jooble, nós agregamos as vagas de emprego de todo o mundo. Eu adoro o meu trabalho, temos uma equipe bacana e uma boa direção. O site (http://www.jooble.org) é mesmo legal, vai ajudar muito em procura de emprego. Tenha um bom dia! Mais uma vez obrigada pelo um blog tão interesante. Escreve mais." Natalia Perez
    Account Manager.

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