terça-feira, 20 de dezembro de 2011

História de Viagem - Cabo Polonio - Uruguai: um caminho para a natureza

Cabo Polonio - Uruguai. Fotos: Levis Litz
É simplesmente irresistível trocar o cotidiano da vida urbana pela emoção de uma viagem. Ao combinar as aventuras com belas paisagens e custo baixo torna-se fácil nos lançarmos ao mundo. Com tudo muito bem planejado e prepararado para enfrentar os limites que as dificuldades nos impõe, decidimos, Valesca e eu, visitar Cabo Polonio, em Rocha, no Uruguai.

No início, a nossa intenção era seguir viagem de motocicleta de Curitiba, Paraná, onde residimos, até Montevidéu, Uruguai. Mas as chuvas constantes, ventos fortes e estradas interditadas só nos permitiram chegar em Cabo Polonio.

No Chuí - onde começa ou termina o Brasil

Embora o céu estivesse amedrontador e nuvens negras (cúmulos nimbus) se formassem sobre nossas cabeças, não nos deixamos intimidar. Logo bem cedo, numa manhã de verão, em janeiro, Valesca e eu tomamos um reforçado café. Quando a chuva diminuiu, cruzamos a fronteira do Brasil e Uruguai, no Chuí.

O Uruguai, naquela viagem, foi o trigésimo terceiro país em que colocávamos nossos pés. A estrada no Uruguai era ótima, os acessos às praias também, o que nos incomodava um pouquinho era a água gelada da chuva entrando na bota e lentamente tocando a ponta dos pés até atingir o calcanhar (as botas e luvas "impermeáveis" que tínhamos comprado até que resistiram ao máximo, mas sucumbiram por completo).

Viajamos assim por cento e dez quilômetros em território estrangeiro até que paramos defronte uma placa que informava: "Cabo Polonio - 5 km - Trecho intransitável para veículos". Perguntei a um rapaz, que vinha em sentido oposto, qual era o grau de dificuldade da estrada. Pelo relato "desanimador" dele pensei: "pior que a Estrada no Inferno, no Rio Grande do Sul, onde percorremos 130 quilômetros em dez horas, não deve ser. E agora são apenas cinco quilômetros". Decidimos ir.

O principal obstáculo a ser vencido era a areia muito fofa, não havia alternativas. Logo no primeiro quilômetro, vi outro motociclista que desistiu de tentar. Naquele trecho a nossa moto começou a ziguezaguear sem parar e jogava areia para todos os lados. Lentamente, conseguíamos avançar e às vezes tínhamos que descer da moto e levantá-la sustentando parte do seu peso. A motocicleta era uma Honda XL-125. A minha habilidade e experiência como piloto foi constamente exigida. Um senhor montado a cavalo passou por mim faceiro e tranquilo, acenou e mostrou um largo sorriso ao ver minhas manobras no areião com o meu "cavalo" de aço.

Reserva de lobos-marinhos

Cabo Polonio é um lugar muito acolhedor. Surgiu com a construção de um farol que não lograva evitar naufrágios. Seu nome nasceu devido a um naufrágio, em 1700, de um navio proveniente de Cádiz, Espanha - o Cabo Polonio. Com casas típicas e sem luz elétrica, o vilarejo é convidativo. Possui uma certa "magia" no ar. A península, em que se encontra, é bela e agreste e os molhes à beira-mar são formados por pedras de granito que ficaram arredondadas pela ação das ondas. Frente a ele existe o arquipélago de Torres, também de granito, integrado pelas ilhas Rasa e Encantada que tornaram-se refúgios para os lobos-marinhos que fogem das águas geladas da Antártida.

Ao entrar no vilarejo, um cão enorme veio em nossa minha direção latindo. Não sei se foi para nos dar as boas-vindas ou para nos intimidar. Imediatamente parei a moto e ele parou. Liguei a moto e ele avançou. Sua dona nos acudiu a tempo de evitar um "desastre" internacional (risos). Um pouco mais à frente, em nossa direção, veio outro cão, um doberman. Daí me dei por vencido, parei a motocicleta ali mesmo, passei a corrente nela e seguimos o resto do trajeto a pé.

Procurando pelos famosos lobos do mar, bem próximo às pedras, à beira-mar, olhei atentamente e não vi nem um filhote de siri, quanto mais um lobo ou elefante-marinho. "Que coisa, tanto sacrifício e nem um lobinho", pensei! Assim, enquanto isso, a Valesca dava um passeio pelas redondezas. Resolvi fotografar o Farol, a cerca de trezentos metros dali. Ao me aproximar da construção, no alto da colina, olhei para o mar e vi entusiasmado centenas de lobos-marinhos deitados entoando seus coros nos rochedos.

Fiquei parado olhando admirado. Feliz por estar ali e fazer parte daquela natureza como espectador. Fui tirando minhas fotos. Ao me preparar para ir embora, percebi que três pessoas estavam distantes observando alguma coisa. Meu faro de jornalista e repórter fotográfico não me enganou. Sem saber o que era, em meio a chuva fina, com a máquina fotográfica, saí feito um louco, correndo e escorregando entre as pedras para chegar até lá. Logo vi a razão da pequena aglomeração, era um filhote de lobo-marinho desgarrado. Sem demora e sem incomodá-lo me aproximei o mais perto que pude para registrar. Sobre a pedra, o filhote parecia posar para as fotos. Após alguns minutos, agradeci a ele as poses e satisfeito como uma criança retornei para a motocicleta. Não é que ele se tornou a logo do meu site/portal Fotos e Rumos?  (www.FotoseRumos.com). O apelidamos de "Poloninho".


Uma aventura que valeu a pena

No caminho de volta, enquanto eu me afundava nas areias fofas da estrada, a chuva veio com tudo, muito forte e muito pesada. Algumas pessoas que passaram por mim num veículo com pneus com mais de dois metros de altura, ficaram me observando. Parecia que nunca tinham visto um motociclista, no meio do nada, num areião infinito, todo encharcado, com sorriso nos lábios e feliz da vida por ter descoberto mais uma trilha para a natureza. O meu dia estava ganho.

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Nota : Este texto reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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Quer ler mais Histórias de Viagem? Visite: Fotos e Rumos (http://www.fotoserumos.com/)

6 comentários:

  1. Comentário recebido por e-mail de Renata: "A cada semana que passa, fico mais satisfeita com informações, dicas e curiosidades deste mundo cercado por maravilhas que vocês vem publicando. Suas reportagens são muito interessantes, me deixam com uma vontade louca de visitar os lugares lindos que são mostrados. A propósito, parabéns pelas fotografias. Adorei aquela do filhote de lobo-marinho em Cabo Polônio, no Uruguai.

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  2. Levis

    Muito bom o post, realmente foi uma bela experiência. Que ótimo que seu feeling de jornalista lhe levou ao lobo marinho, a foto ficou incrível. Viajar sempre nos possibilita desbravar lugares inusitados e conhecer peculiaridades locais, o que acho uma riqueza cultural.
    Grande abraço e boas festas para você e família

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  3. Odete: concordo contigo, viajar é um aprendizado ímpar - recomendo sempre (rs), com sabedoria e bom senso. Boas festas também para você e sua família!!!

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  4. Comentário de Maurício Bastos no FaceBook: "Irado LL... esse lugar é animal... estive lá em 2006 e me apaixonei!".

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  5. Comentário no FaceBook de Elenice Benvenutti: "Lindo este lugar Levis...a natureza sempre é muito mágica e apaixonante.... também queria ir até lá!!!".

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  6. Comentário no FaceBook de Daniela De Carli ‎"este lugar é realmente mágico... amo o Uruguay !!!"

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