sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

História de Viagem - Carona: Um Estranho no Carro

Mochila nas costas e polegar no ar. Assim fui para a beira das estradas do Brasil e exterior descobrir um mundo diferente das pessoas que davam carona

A primeira carona a gente nunca esquece, foi nos anos 80, eu tinha 16 anos e fui de Curitiba para Itajaí, Santa Catarina, num caminhão. Não foi difícil, fui num posto de gasolina na saída da cidade, conversei com um motorista e embarquei sem problemas.

No ano seguinte, fui de São Paulo para Curitiba, usei a mesma estratégia num Posto na Regis Bitencourt. Depois, não parei mais, todavia estava entediado em viajar de caminhão, pois era muito lento. Assim passei a adotar o gesto clássico com o polegar no ar - quase um símbolo do Brasil dos anos 60, quando ainda havia poucas estradas e poucos automóveis - foi uma boa tática.

Até um certo tempo, sem o mesmo romantismo, a carona virou uma prática, como pude constatar quase restrita a quem desejava se deslocar para o litoral nos fins de semana sem se submeter à rotina de um ônibus. Mesmo assim, é uma aventura cheia de riscos: não se sabia quantas horas iriam passar até alguém parar; se esse alguém não seria imprudente ao volante, ou se, simplesmente, não veria com simpatia o caronista e resolveria largá-lo no meio da pista, longe de tudo.

De qualquer modo, quando a oportunidade aparecia, lá estava eu. Qualquer coisa - carro, motocicleta, carroça, cavalo, navio, canoa, avião, helicóptero - indo para a direção certa servia. Da Praia de Leste para Caiobá, no Paraná, de Mendola a Fondo, na Itália, do Valle da La Luna até o centro de La Paz, Bolívia. Com sorte, em menos de meia hora de estrada, os veículos atendiam ao meu aceno.

A experiência fez que com eu seguisse algumas regras básicas para pedir carona nas estradas. Evitava as decidas, em que o carro vinha muito rápido e dificilmente iria parar, procurava ter uma aparência simples e mãos visíveis para não levantar suspeitas e se tivesse que pedir carona à noite, permanecia em lugares bem iluminados.

Quando embarcava nos carros, colocava de imediato o cinto de segurança que, além de obrigatório, é um sinal de civilidade e ajudava para ter um bom relacionamento. Também não falava demais. Afinal, quem dá carona também se sente intimidado. Existe sempre o risco de assalto ou de um caronista chato. Com estes preceitos fundamentais para o sucesso de uma carona na cabeça e pouca bagagem, eu conseguia ter uma boa viagem.

A carona costuma ser abandonada com a chegada da idade, do diploma e do veículo próprio. É aí que a situação se inverte. De caronista a caroneiro, também dou carona. Muitos dos caronistas nas estradas brasileiras são de estudantes e jovens viajantes dispostos a unir a aventura com a economia da mesada. Pode ser uma experiência agradável, além de enriquecer a lista de amizades. Todavia, seguindo minha experiência de caronista, sigo também algumas regras de segurança como caroneiro: não estaciono em curvas, fico atento às situações e manobras suspeitas e coloco o caronista ao meu lado. É mais fácil saber o que está se passando. No infeliz caso de assalto, o melhor seria não reagir, a dica é manter-se calmo e observar discretamente as características físicas do assaltante para poder descrevê-lo melhor à polícia.

Em geral, não costuma acontecer nada de tão anormal e às vezes, quando a oportunidade surge, não resisto e acabo indo para a beira da estrada, de polegar erguido, perguntando: dá uma carona?
 
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Nota : Este artigo reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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