História de Viagem - Caverna de Zedequias - Jerusalém

A emoção da descoberta

Por Levis Litz


Jerusalém Velha - Foto: Levis Litz

A vários dias explorando a região em torno da Velha Jerusalém, Valesca, professora de História, e eu, já havíamos percorrido todos os lugares possíveis e imagináveis. A cada dia, dos seis meses que permanecemos em Israel, nossa expectativa era superada pela surpresa que o lugar e as diferentes culturas nos proporcionavam. No último dia na Cidade Santa, antes da partida para o Egito, às dez horas da manhã, resolvemos conhecer uma caverna que situa-se exatamente embaixo das muralhas que cercam a Velha Jerusalém.

Era para ser apenas um passeio turístico comum, daqueles que você vai de bermuda e camiseta carregando uma pequena mochila contendo basicamente o essencial: máquina fotográfica, rolos de filmes, bloco de anotações, caneta, água para beber e outros pequenos utensílios como um bom e original canivete suíço e uma pequena lanterna que estava um pouquinho danificada, mas que ainda, com algumas batidinhas, funcionava.

Sob a Antiga Cidade de Jerusalém

Descendo lentamente pela única via que dava acesso ao interior da caverna, que era iluminada parcialmente com luz elétrica, notamos que não havia nada de extraordinário. Sem estalactites ou estalagmites, formações rochosas que crescem a partir do teto ou do chão respectivamente, não tinha nada para ser observado.

A caverna parecia um enorme túnel que se alongava por aproximadamente cem metros e só. Para nós que já tínhamos conhecido as belas e profundas "Cuevas de Canalobre", em Jijone, na Espanha e as históricas Cavernas do Qumram, onde foram encontrados os Manuscritos do Mar Morto, em Israel mesmo, a Caverna de Zedequias se apresentava sem graça alguma.

Desapontados e para passar o tempo, fomos até o fim onde a iluminação elétrica permitia. Notamos que daquele ponto em diante, o túnel se ramificava em outros três, mas que terminavam um pouco mais à frente, embora não houvesse luz suficiente para chegarmos até o fim deles.

Sem contar que já estávamos desmotivados, essa pequena dificuldade de avançar pela falta de iluminação, fez com que a Valesca permanecesse no limite do visível. Entretanto, já que estávamos ali mesmo, resolvi seguir com a pequenina lanterna até o fim dos túneis. Nos dois primeiros túneis, realmente não haviam nada, só uma parede no final, como se fossem enormes garagens. Mas, no terceiro, havia um buraco no chão com uma abertura de um metro de diâmetro, aproximadamente. Iluminei o buraco que estava seco e consegui ver fundo, que não era tão fundo, cerca de um metro e meio de profundidade. Notei que havia um pequeno acesso que ligava a outra passagem. Era um quebra-corpo, como denominam os espeleólogos. Chamei a Valesca para ver, ela veio, observou o buraco e permaneceu ali, enquanto eu, cheio de expectativa para descobrir o que haveria do outro lado, entrei.

Uma aventura inesperada

Quando atravessei com todo cuidado o quebra-corpo, me abaixei, olhei ao redor e percebi que estava no interior de outra caverna, em uma galeria gigantesca que parecia não ter fim. Entusiasmado com o momento da descoberta, o meu coração disparou. A visão era única, para onde olhasse, não havia um fim. Eu sentia que estava entrando em uma passagem subterrânea que me levaria a um mundo desconhecido. Todo o panorama era irregular, com altos e baixos relevos.

A vontade que me deu era seguir adiante para ver até onde ia. Caminhei afoitamente por alguns metros, mas de repente parei e pensei: "não vou continuar sem equipamento adequado". Resolvi retornar. Dou alguns passos para trás... "e agora? Onde é, ou melhor, era a saída?" O teto era todo irregular e a saída estava "camuflada" para os meus olhos. Fiquei um pouco tenso. Uma mistura de medo e excitação tomou conta de mim. Eu estava perdido. Procurei por alguma indicação e nada. Chamei a Valesca, achando que sua voz seria minha referência para a saída. Chamei-a e nada. Gritei o seu nome e uma voz lá no fundo (bem distante) respondeu. Estava óbvio que ela havia se retirado da entrada do buraco e retornado para a luz elétrica. Nisso, aos tropeços, a minha lanterna cai e ao bater no chão, apaga. A escuridão era absoluta. Não havia barulho. Sem pânico, peguei a lanterna, dei umas batidas de leve. Ela voltou a funcionar. Mais confiante, comecei a pensar em um maneira de encontrar a saída. Tirando o suor do meu rosto, pensei que a melhor solução seria fazer um ponto no chão no lugar onde eu me encontrava e andar em espiral, sempre olhando para o teto. Depois de algum tempo, um pouco tonto, mas aliviado, encontrei finalmente a saída. Aquele sim, foi um dia que jamais esquecerei.

A Caverna de Zedequias

Mais tarde, após algumas pesquisas, descobrimos que aquelas galerias profundas no solo abaixo de Jerusalém foram feitas por Herodes que perfurou as rochas para restauração do Templo de Salomão. Entretanto, registros não confirmados, revelam que em 586 a.C. o Rei Zedequias conseguiu escapar de Jerusalém através destas galerias secretas subterrâneas até a cidade de Jericó.

-----------------------------------------------------------------------------------

Nota: Este texto estava acurado quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido mudado com o tempo. Por favor, certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.

-----------------------------------------------------------------------------------

Comente este texto aqui ou em: fotoserumos@gmail.com ou levislitz@hotmail.com

-----------------------------------------------------------------------------------

Quer ler mais Histórias de Viagem? Visite: Fotos e Rumos (http://www.fotoserumos.com/)

Comentários

  1. Comentário recebido pelo FaceBook - De: Letícia Viana. Salvador - BA: "Eu literalmente entrei em pânico quando você se perdeu! Fechei bem os olhos, respirei fundo e pensei: ´Relaxe, Letícia, se ele postou, é lógico que conseguiu sair de lá! Deixe de ser idiota!´ rs Como sempre, adorei seu post!"

    ResponderExcluir
  2. Respostas
    1. Renato, segundo Indiana Jones, deve estar guardada incógnita em algum depósito do governo dos Estados Unidos (rsrs).

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Canon lança no Brasil lente EF 24-105mm f/3.5-5.6 IS STM

Bob Wolfenson, um dos maiores nomes da fotografia de moda, expõe em Curitiba

Lendário grão-mestre de artes marciais virá ao Brasil