História de Viagem - Grécia: a terra dos deuses


Atenas - Grécia. Fotos: Levis Litz
 Conhecer a Grécia é um sonho de todos aqueles que apreciam arte, cultura e história. Mas mistério, tradição e sensualidade também convivem harmoniosamente na terra dos deuses. Nada mais apropriado que eu e uma professora de História estivéssemos a bordo do Navio Valentino cruzando o Mar Jônico em direção à Grécia.

Havíamos partido de Brindisi, sul da Itália, em direção a Patras, Grécia. Sem roteiro fixo, mergulhados na mitologia, deixando-nos guiar pelos nossos corações.

A Grécia tem uma área menor do que o Estado do Acre e possui mais de mil ilhas que resulta num litoral com quase o dobro de extensão que o do Brasil. O país inteiro é o resultado de uma mistura de culturas que recebe desde a Antiguidade.

Assim que aportamos em Patras, partimos, de ônibus, na mesma hora, para a capital. Ao chegar em Atenas, a nossa primeira dificuldade foi encontrar alguém que falasse inglês, até que descobrimos um adolescente que acabou nos ajudando.

Estávamos procurando o ponto de ônibus que nos levaria para o Albergue da Juventude. Ao entrarmos no ônibus, que estava lotado, perguntei ao motorista se ele conhecia a rua e se poderia parar nela. O meu pedido foi em vão, o motorista não entendia nenhum dos idiomas que eu sabia. Então resolvi mostrar, por escrito, o nome da rua. Ele logo reconheceu. Mais relaxados, Valesca e eu ficamos conversando.

De repente, uma senhora começou a falar conosco. Não entendemos nada. Para nós ela falava grego. E logo em seguida outra mulher falou alguma coisa e outro homem resolveu gesticular. Enfim percebemos que quase todo o ônibus estava se manifestando. Foi aí que compreendemos que tínhamos acabado de passar em frente ao Albergue e que era hora de desembarcar. Assim, calorosamente, os gregos nos recebiam.

No passeio do dia seguinte, tivemos outro impacto que foi a visão de Atenas. Nos pareceu uma cidade caótica, com trânsito intenso e muita sujeira, como é comum na maioria dos centros urbanos modernos. Contudo, a medida que conhecíamos suas ruínas e caminhávamos por suas ruas, a péssima impressão inicial foi se desvanecendo.

Monumentos como as ruínas da Acrópole acabaram nos conquistando a medida que imaginávamos como era estar ali, muitos séculos atrás. Os deuses pareciam estar presentes em todas as ruínas. Sentíamos que a qualquer momento iríamos nos encontrar numa esquina com algum pensador como Heródoto, Sócrates ou seu aluno, Platão.

Nas ruínas de um anfiteatro podíamos imaginar a encenação das tragédias gregas de Sófocles, Eurípedes ou Ésquilo. Ou ainda, pensar como seria trocar idéias sobre ética com Aristóteles. Tudo parecia fazer parte de um sonho. Depois de tanta lição de História, nada melhor do que um passeio pelas ilhas gregas.

A Rota das Ilhas

Um dos maiores desejos dos viajantes do mundo inteiro é navegar no mar dos deuses rumo aos registros de civilizações antigas ou ir em busca de uma infinita tranqüilidade que só aquela parte do mundo pode fornecer. Cada ilha tem seu atrativo próprio. Na Ilha de Creta, onde teria nascido uma das primeiras civilizações ocidentais, conta-se que, além da lembrança da luta de Teseu e o Minotauro no Labirinto, Zeus, o deus dos deuses, apaixonou-se pela ninfa Europa, cuja união deu origem a Minos, que teria se tornado o primeiro rei de uma nação organizada. Já, nas minhas anotações de viajante, havia um endereço para trabalhar na colheita de oliva, era a época certa, mas, motivado em conhecer mais, eu não estava interessado naquele momento.

Mikonos, que já pertenceu a venezianos, turcos, cretenses, fenícios, egípcios e piratas, encontra-se entre as mais bonitas e românticas ilhas da Grécia. É um ponto de badalação com inúmeras opções de lazer. Conserva o charme de um vilarejo típico com flores nas janelas de suas casas e com as portas das residências semi-abertas permitindo ao turista mais afoito ver um pouco da intimidade do local.

A Ilha de Rodes, a maior do arquipélago, tem uma cidade medieval cercada por quatro quilômetros de muralhas e belas praias. Na Idade Média a cidade se tornou a principal base de grupos de cavaleiros em peregrinação a Jerusalém. Em suas estreitas ruas cortadas por arcos e monumentos, há um comércio abundante e contemporâneo que divide o espaço com artesãos vindos de um outro tempo, de uma outra cultura.

Na entrada do porto da cidade, o Mandraki , existiu o Colosso de Rodes, uma das setes maravilhas do mundo antigo. Estimado com a altura de 32 metros, o gigante apoiava seus pés em dois molhes do porto. Era tão enorme que os navios passavam entre suas pernas. Foi destruído por um terremoto em cerca de 100 a.C. A medida que o nosso navio ia se afastando de Rodes, fiquei imaginando de como deveria ser impressionante tal monumento.

A Grécia tem uma existência tão longa, que a mitologia preenche os vazios da História e com a imagem da impressionante muralha medieval de Rodes, partimos, novamente de navio das rotas dos deuses, rumo a Chipre, sob a guarda de Poseidon, o deus do mar.

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Comentários

  1. Comentário recebido por e-mail - De Elsi Gabardo Costa, Curitiba - PR: "Lí a narrativa de sua viagem à Grécia. Estive lá em 2000 e agora em setembro fui a Turquia e revi a Grécia, que me pareceu bem melhor(as Olimpíadas colaboraram) e como sempre, um bom destino turístico.Gostei muito de saber como você e Valesca aproveitaram as oportunidades de "correr mundo". Que belas histórias e conhecimentos! Você não faz parte do Instituto Histórico? Tem bagagem para isto."

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  2. Comentário recebido por e-mail de: Vassiliki Garbis: "Estou escrevendo este e-mail apenas para te parabenizar pela bela reportagem sobre a Grécia. Sou filha de grego e sempre me interesso muito por este país maravilhoso, já estive por lá tb e tive exatamente a mesma sensação que vc descreveu."

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  3. Comentário recebido no FaceBook de Letícia Viana (Salvador,BA): "Adorei mais esse post, amigo!!! Estou curtindo muito! Gosto muito da maneira como você escreve. Eu apreciei e muito!!!! Virei sua fã! rs !"

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