História de Viagem - Missões Jesuíticas

Missões - Rio Grande do Sul. Fotos: Levis Litz
Uma viagem pela História

Sempre fui uma pessoa apaixonada por viagens, especialmente pelas Histórias dos lugares por onde passei. Envolvido pela ideia de conhecer bem a região Sul do Brasil, não pude deixar de incluir no meu roteiro a famosa e histórica região das Missões, no Rio Grande do Sul.


Parti de Curitiba às sete da manhã, começava a chover e estava um pouco frio. Era 15 de dezembro, uma terça-feira. Estava decidido a percorrer, no mesmo dia, todo o trajeto de 803 quilômetros - da porta da minha garagem até a entrada das Ruínas de São Miguel, no Rio Grande do Sul.

Foi assim que bati o meu recorde em quilometragem numa motociclesta num mesmo dia. Recorde este que foi superado dois dias depois, quando fui para Buenos Aires. Foram 997 quilômetros, mas aí é o começo de uma outra história.

Vivendo o Passado
Passei o dia todo viajando, parando apenas para abastecer a moto e a mim mesmo. Cheguei na pequena cidade de São Miguel das Missões às oito e meia da noite. A chuva tinha ficado para trás, no Paraná. Instalado no Hotel Barrichelo, tirei os alforjes da motocicleta, tomei um banho, jantei e caí no sono. Logo pela manhã, fui ver de perto um dos mais importantes resquícios da história da colonização espanhola no Brasil - as missões jesuíticas.

Pelo fato da Espanha ter dominado somente uma pequena faixa no extremo sul do Brasil, de menos de 250 km de extensão, na fronteira com Paraguai e Argentina, divulga-se muito pouco sobre a história local. Em território brasileiro, são sete os povos das missões ou sete cidades. Entretanto, existem, ao todo, 30 ruínas das missões jesuíticas ou reduções, espalhadas também pela Argentina, Paraguai e Uruguai. A palavra redução foi ditada pelos europeus para denominar a ação de reduzir grupos de índios desorganizados em grupos unidos pelo controle, defesa e catequização, tornando-os indivíduos mais obedientes, monoteístas e civilizados.

Com o Tratado de Madri, estabelecido em 1750, as fronteiras das terras da Espanha e Portugal foram redefinidas, fazendo com que os índios abandonassem as reduções. Houve revoltas que acabaram em guerra entre 1754 e 1756. Derrotados, os guaranis foram obrigados a deixar seus lares. O Tratado de El Pardo, em 1761, anulou o de Madri, permitindo a volta dos índios às suas terras. Todavia, os Povos, com a expulsão dos jesuítas, passaram a ser governados pela administração espanhola, em 1768 e, a partir de 1801, pela administração portuguesa, iniciando o processo de decadência. Em 1828, D.Frutuoso Rivera, como resultado da Guerra Cisplatina, incorporou ao seu exército todosos homens restantes das Missões e levou mais de sessenta carretas de imagens, ornamentos, sinos das igrejas, entre milhares de reses e animais. Este, segundo descreveu Wolfgang Harnisch, foi o golpe final nos Sete Povos das Missões Orientais.
Ruínas à vista

Ao entrar na construção mais importante, na Igreja de São Miguel Arcanjo, procurei ativar minha imaginação. Tentar visualizar mentalmente como teria sido aquela época, exatamente naquele local. Foi uma experiência interessante. Imaginei cenas antigas de crianças indígenas brincando entre as árvores das regiões, jesuítas conversando com os índios... Entre a ruína de uma parede e de outra, as cenas pareciam se modificar: no batistério, na sacristia...

Para não ficar com a impressão daquele lugar só na memória comecei a fotografar. Foi aí que encontrei um casal - o seu Benedito e a dona Elena, cidadãos do município de Caibaté, RS - que oravam num canto daquele templo. "Estamos pagando uma promessa pelas bênçãos recebidas", revelou dona Elena, que, acompanhada do seu marido, cruzou todo o templo de joelhos. Foi uma cena tocante, uma demonstração de humildade combinada com a reverência religiosa.

Patrimônio da Humanidade

Em seu conjunto, as missões jesuíticas fizeram parte de um importante capítulo de nossa História, onde existiu a maior ação cultural e social de catequização de índios tupis-guaranis. Em razão da fascinante arquitetura da igreja, as ruínas de São Miguel Arcanjo foram reconhecidas, em 1938, como Patrimônio Nacional e, em 1983, pela UNESCO, como Patrimônio Cultural da Humanidade. Atualmente, à noite, essas ruínas, por meio de um belo espetáculo de Som e Luz, iluminam-se para reviver a história dos Sete Povos da Missões.
 
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Nota : Este texto reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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Comentários

  1. Comentário recebido por e-mail - De: Jorge Freitas: "Fiquei muito contente em ver minha região (São Miguel Das Missões) e sua história (fascinante) terem sido motivos de uma viagem sua, e de tão belo relato. Parabéns, me senti mais orgulhoso ainda ser ¨MISSIONEIRO¨."

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